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Jornada para autonomia

27 de julho de 2019 por Alexandre Miguel de Andrade Souza

A jornada para autonomia tem um enfoque individual. A premissa é que não desenvolvemos regiões ou locais, mas indivíduos.

Um bom agricultor não joga sementes sobre uma pedra e espera que elas se desenvolvam e deem frutos, mas ao contrário, prepara o terreno adequado para cada tipo de semente. Então por que alguns esperam que indivíduos possam se desenvolver sem as mínimas condições?

O que é trajetória para autonomia?

É a transposição de estados de vulnerabilidades sociais (riscos sociais, violação de direitos, exclusão social, privações, isolamento, pobreza, desigualdade social) para situações de autonomia (acesso a renda, oportunidades, liberdade, cidadania, emancipação, qualidade de vida, plena convivência familiar e comunitária, acesso à habitação)

metodologia (em elaboração)

1) Identificar o(s) ponto(s) do indivíduo (na família, em faixa etária, nas relações pessoais, em educação, em renda, em ocupação, em organização social, e geograficamente)

2) Ampliar o(s) mapa(s): mostrar as possibilidades no futuro: na familia, em faixa etária, nas relações pessoais, na educação e qualificação, em ocupações, em organização social, em renda, e inclusive onde essas possibilidades se encontram geograficamente

3) Orientar quanto a (pelo menos) alguns caminhos possíveis no alcance de seus objetivo,

4) Dentre as possibilidades, levar a um exercício de auto-conhecimento, para identificar os pontos de destino desejados e ps caminhos que está disposto a trilhar.

5) A partir dos objetivos e caminhos escolhidos, oferecer um suporte mínimo em cada degrau da caminhada, se necessário.

6) A partir das agregações em torno de pontos em cada um dos aspectos analisados, definir políticas públicas distintas:

Exemplos: O primeiro recorte é o da renda e localização. A partir dos dados do CADúnico e IMV, estão sendo escolhidos municípios, e nesses municípios, indivíduos em famílias com renda média classificada como Extrema Pobreza e Pobreza. Isso delimita a ação a um subconjunto de 250 mil pessoas (ver dado corrreto)

Dentro desse conjunto, há que avaliar por exemplo, a faixa etária. As ações e objetivos para a faixa etária de até 14 anos são essencialmente, garantir a alimentação, a não exposição à violência (domestica ou local), acesso à escola e ao atendimento médico.

Para os jovens de 14 a 18 anos, é possível enfocar no planejamento do futuro. O que eles podem construir para si em termos de papel familiar no futuro (namoro, casamento, eventualmente filhos); em novas amizades em novos círculos sociais; ocupação para obter renda, e mais do que isso, atingir o seu potencial; avaliar o seu p papel como cidadão (eleitor, participação ou não em atividades partidárias ou em organizações sociais) a fim de lidar com problemas comuns, e eventualmente, a percepção de que sua caminhada pode envolver mudança de local (rural para urbana, para outro município, estado ou até país) seja para viabilizar uma etapa (qualificação, ocupação) temporária ou definitiva a fim de atingir seus objetivos.

A faixa etária de 18 a 59 anos, enfrenta os mesmos problemas que a faixa anterior, mas deve AGIR. Aspectos como qualificação de curto prazo, organização e atuação social, e atividades econômicas que podem gerar renda com eventual acesso a crédito ou 'seed money' são críticos aqui. Uma análise preliminar aponta que por conta das características dos municípios alvo, qualificar para emprego é praticamente inócuo, dado o pequeno peso da atividade formal na economia local. Embora para alguns indivíduos a migração possa ser a única forma de atingir seu potencial, essa solução não seria aplicável a todos.

A partir de 59 anos, espera-se um enfoque na proteção, assegurando o acesso à aposentadoria ou BPC, a não exposíção à violência doméstica ou local, e o acesso ao atendimento médico.

7) Nada impede que posteriormente esse ciclo seja executado novamente, a partir da nova situação (ou não) do indivíduo. Pelo menos alguns caminhos terão sido tentados.